segunda-feira, 18 de junho de 2012
Autocondenada à solidão.
por Neska Brasil, quinta, 15 de Março de 2012 às 22:11 ·
Quando se decide entrar conscientemente em uma experiência, é preciso que a decisão seja inteira e é extremamente importante que nela contenha toda a parcela de alma possível. Eu percebo que sou uma criatura completamente autocondenada à solidão. Sim, eu me condenei à solidão e confesso que me perco no meio de tanta confusão de quereres.
É claro que como todo ser humano, ou a maior parte dele, eu desejo ter alguém com quem partilhar o minha existência. Alguém pra quem eu guardaria o meu melhor sorriso, minha mais profunda gargalhada. Aquele alguém que me faria decorar seu caminho com flores, despertaria meus mais ardentes desejos, estimularia uma transformação interior, sem nem ao menos suspeitar disso. Ao mesmo tempo me considero uma pessoa bem estragada. Nasci com um defeito de fabricação enorme e talvez seja ele o responsável pela minha aversão a cultivar uma convivência cotidiana com outro alguém, pelo menos um alguém de perto, tão perto a ponto de me fazer desistir de um pum urgente, em sinal de respeito. Você pode até achar ridículo este exemplo, mas já imaginou você tendo que desistir e reprimir o seu pum a vida toda e ainda omitir o fato, por conta de alguém que na realidade nem se importa tanto assim e que provavelmente vá achar engraçado, mas que irá te censurar de alguma forma, porque alguém que já deixou de existir há tantos mil anos disse que era errado fazer na frente do outro? Então.
Muitos me criticarão aqui, e também por conta dos meus argumentos fajutos, mas o fato é que eu nem tenho tantos argumentos assim, só sinto que ao mesmo tempo que desejo estar com alguém, desejo estar sozinha, completamente isolada do mundo. O que me faz perceber que eu me autocondenei à solidão é a minha intolerância ao chato, ao mimado, ao besta, ao relaxado e aos tantos outros que há no outro. Eu não quero o pior do meu amigo, do meu irmão, do meu homem ou da minha mulher, seja lá como for. Não! Eu quero apenas o melhor, mesmo que seja nas piores situações e condições. Eu não aceito mais o mau-humor repetitivo. Também renego as maldades gratuitas. Não quero ter que conviver com as marcas do cocô do outro no meu vaso. Também não quero ter que lavar a panela queimada do jantar que não comi. Você me entende? Você é capaz de entender as minhas metáforas? Enfim, eu me recuso a ter o pior do outro, também não quero compartilhar o meu.
Cotidiano, rotina e obrigação são monstros perigosos demais pra mim. Eles me fazem ser uma pessoa que não gosto e agir de forma completamente condenável. Sabe esse amor “cristão” que aprendemos a ter, ou pelo menos, a buscar? Pois é, eu acho ele todo errado, aí já viu a dificuldade de encontrar alguém que pense se quer de forma menos distante à minha. As possibilidades de encontrar?
Certa vez um ex-amante, como chamo meus casos, acho mais romântico, me disse que é difícil pra uma pessoa que pensa tanto quanto eu, conseguir manter um relacionamento duradouro, porque nenhum relacionamento humano é saudável a ponto de satisfazer mais as necessidades e anular menos as essências individuais, quando cultivado em um território comum e “obrigatório” para ambas as partes. É fato que se minha mente questionasse e refletisse menos em relação as implicações emocionais, físicas, mentais e sociais que envolvem o exercício da convivência de compartilhamento íntimo, seria mais difícil perceber a gravidade das manifestações dos processos psíquicos desenvolvidos em decorrência ao fato das pessoas terem que ver o pior umas das outras, e, consequentemente, eu poderia até querer cegamente um marido ou qualquer coisa do gênero.
E é isso, acho que não nasci pra ser esposa, nem pra ser filha, sem pra ser mãe e nem pra ser melhor amiga de ninguém. E não pense que acho isso ruim, não acho não, mas sinto um pouco viver nesta completa confusão de querer e não querer o tempo todo.
Eu não vejo a diferença entre o holocausto e o que vem acontecendo todos os dias no mundo.
por Neska Brasil, sexta, 3 de Fevereiro de 2012 às 02:01 ·
Acabo de assistir "O julgamento de Deus". Percebo que as coisas sempre funcionaram assim:
Os "FORTES" gritam: SOU!
Os "Fracos" gritam: Você é!
Os "FORTES" gritam: Porque eu SOU eu exijo que vocês façam o que eu mandar!
Os "Fracos" gritam: Sim Senhor!
Os "FORTES" gritam: Eu mando vocês me servirem, realizarem todos os meus desejos e se resignarem com todas as minhas barbáries!
Os "Fracos" gritam: Sim Senhor! Nós faremos tudo o que mandares, Senhor!
Os "FORTES" gritam: Eu quero que vocês destruam quem ficar contra mim!
Os "Fracos" gritam: Nós destruiremos Senhor!
Os "FORTES" gritam: Eu exijo que vocês obedeçam minhas ordens em todas as instâncias e jamais deem ouvidos aos que contra mim blasfemarem, porque eu Sou e isto é suficiente!
Os "Fracos" gritam: Claro que sim Senhor!
Os "FORTES" gritam: Eu vou matar algumas pessoas, tomar suas posses, destruir lares e famílias, estuprar seus filhos e cometer muitas outras atrocidades para que vocês percebam o quanto eu SOU e por eu SER eu POSSO TUDO!
Os "Fracos" gritam: Sim Senhor, o Senhor PODE TUDO!
Os "FORTES" gritam: Eu vou usar o dinheiro de vocês, corromper suas crianças, escravizar suas mentes e em troca, para que vocês possam ver como eu SOU bom, eu deixo vocês SOBREVIVEREM para me servir!
Os "Fracos" gritam: Estamos emocionados com a Sua imensa bondade Senhor! Lhes seremos eternamente gratos!
Alguém, certa vez nos disse que éramos “FRACOS”, e por isso jamais poderíamos lutar contra os “FORTES”, mas não, não se iluda, isso não nos foi dito com estas palavras, isto vem sendo dito ao longo de toda a história da humanidade...
Não vejo muita diferença do que aconteceu com os Nazistas do que o que o que acontece diariamente no mundo. Nos calamos para as barbáries, mas não porque não sentimos e não temos o que fazer em relação a elas, mas porque fomos condicionados a nos calar. Isto é ruim? Isto é desesperador!!! Desde que nascemos somos condicionados a nos tornarmos um bom cidadão, e o que é que determina ser um “BOM CIDADÃO”?
Bons cidadãos não lutam contra o SISTEMA.
Bons cidadãos respeitam a moral, a ordem e são justos.
Bons cidadãos sabem obedecer desde pequenos e cumprem o que mandam fazer.
Bons cidadãos não tem sentimentos ruins, e se os tem os reprime porque cada sentimento ruim que ele tiver se voltará contra ele acrescido de no mínimo 3 vezes.
Bons cidadãos oferecem a “outra face setenta vezes sete vezes” na esperança de que o algoz algum dia mude e se torne uma pessoa melhor.
Bons cidadãos estudam nas escolas que são obrigados a estudar, cumprem os compromissos que foram criados para cumprir, casam com mulheres e produzem crianças, e mesmo “se” contra a vontade, levam uma vida desgraçada e morta para manter isso porque alguém forte disse que tem que ser assim.
Bons cidadãos não se vingam. Bons cidadãos perdoam!
Hoje, bons cidadãos tem como obrigação principal assistir TV, consumir compulsivamente e despertar muita inveja nos amigos.
Me desculpe, eu não sou uma boa cidadã, e sinceramente eu continuo a falar:
EU NÃO VEJO DIFERENÇA ENTRE O HOLOCAUSTO E PINHEIRINHO, ENTRE O HOLOCAUSTO E CARVOARIAS, ENTRE O HOLOCAUSTO TRÁFICO DE CRIANÇAS, ENTRE O HOLOCAUSTO E OBSOLESCENCIA PROGRAMADA, ENTRE O HOLOCAUSTO E O QUE NOS FAZEM OS GOVERNOS E AS MULTINACIONAIS.
E aí eu me pergunto:
MAS EU VOU FICAR SÓ FALANDO?
MAS EU VOU FICAR SÓ FALANDO?
MAS EU VOU FICAR SÓ FALANDO?
MAS EU VOU FICAR SÓ FALANDO?
Ainda não tenho como responder isso, mas digo: É ATRAVES DA PALAVRA, DA MANIFESTAÇÃO DE IDÉIAS, DA EXPRESSÃO DE SENTIMENTOS QUE O HOMEM VEM MUDANDO O CURSO DA SUA HISTÓRIA, E AS IDÉIAS VEEM SENDO CADA VEZ MAIS VALORIZADAS, por isso eu sigo falando, falando, falando... E assim continuarei!
Vaneska Barbosa da Silva.
Artista, professora anti-cidadã, atéia, anarquista, desempregada, pobre e sobrevivente
Assinar:
Postagens (Atom)